Um mestre internacional - Lasar Segall

Lasar Segall nasceu em 21 de julho de 1891, na comunidade judaica de Vilna, capital da Lituânia, ainda sob o domínio da Rússia czarista. Foi o sexto dos oito filhos de Esther e Abel Segall, escriba de Torá. Sempre curioso pelas artes, iniciou seus estudos em 1905, dedicando-se inicialmente ao desenho. No ano seguinte, continuou sua formação na Alemanha, freqüentando a Escola de Artes Aplicadas e a Imperial Academia Superior de Belas Artes de Berlim.

Em 1910 ingressou na escola de Belas Artes e, em 1912, veio ao Brasil onde conhece os irmãos Oscar, Jacob e Luba. Suas exposições individuais começam em 1913 e casou-se cinco anos depois com Margarete Quack.
A partir de 1923 escolheu o Brasil como moradia definitiva e, nos anos seguintes, começou a participar de exposições individuais e coletivas. Com o tempo, separou-se de Margarete até que em 1925 casa-se pela segunda vez decide mudar para Berlim, na Alemanha, onde permaneceu apenas por poucos anos.
Em 1927 naturalizou-se brasileiro e em 1932 voltou a morar na cidade de São Paulo, onde voltou a expor. Após uma trajetória de sucesso, o artista faleceu em decorrência de problemas cardíacos.Quarenta anos depois, foi inaugurado, em São Paulo, o Museu Lasar Segall exatamente em sua antiga residência. O acervo do local abrange a parcela mais representativa da obra artística de Lasar Segall e permite uma visão abrangente de sua produção em toda diversidade técnica e temática. Seu trabalho mais antigo é o desenho “Retrato de mulher”, de cerca de 1905, quando ainda vivia em Vilna, sua cidade natal. A obra mais recente do acervo do artista é a pintura à base de aquarela e guache “Floresta”, de cerca de 1956, que foi encontrada inacabada na prancheta de trabalho de Segall. O mestre faleceu em 2 de agosto de 1957, em São Paulo.

Um museu à la Segall!

O Museu Lasar Segall foi idealizado por Jenny Klabin Segall (viúva do artista) e criado como uma associação civil sem fins lucrativos, em 1967, por seus filhos Mauricio e Oscar Klabin. Está instalado na antiga residência e ateliê do artista, projetados em 1932 por seu concunhado, o arquiteto Gregori Warchavchik. Em 1985 foi incorporado à Fundação Nacional Pró-Memória e hoje integra o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como unidade especial. O museu tem como objetivos conservar, pesquisar e divulgar a obra de Lasar Segall (1891-1957), possuindo um acervo de cerca de três mil trabalhos do artista, doados por seus filhos.Para isso, diversas exposições são promovidas na sede do museu e em outras instituições culturais do Brasil e exterior. A mais recente é uma mostra em Buenos Aires, que trouxe 140 trabalhos do Museu de Arte Latino-Americano e Buenos Aires (Malba) até aqui, onde permanecerá em exposição até 15 de setembro de 2002.Programas de visitas monitoradas para escolas do ensino básico, cursos nas áreas de gravura, fotografia e criação literária, além da Biblioteca Jenny Klabin Segall que é especializada em artes do espetáculo e fotografia, são alguns dos recursos que o museu disponibiliza para promover a arte e a história de Lasar Segall.O acervo é composto por 31 pinturas a óleo (sendo 29 sobre tela, e 2 sobre papelão), 40 pinturas sobre papel (entre aquarelas e guaches), 386 gravuras (entre xilogravuras, gravuras em metal e litografias, correspondentes a 221 imagens diferentes), 2481 desenhos, nas mais variadas técnicas (grafite, crayon, tintas diversas, carvão e outras) e 70 esculturas (sendo 37 bronzes e 33 trabalhos em materiais diversos).

No site (www.museusegall.org.br), estão disponíveis para consulta cerca de 150 imagens de trabalhos do artista agrupados em pinturas sobre tela, pinturas sobre papel, gravuras, desenhos e esculturas.


Grande oportunidade!

O Museu de Arte Brasileira e o Museu Lasar Segall promoveram a exposição “Otto Dix e Lasar Segall. Imagens da Guerra”, onde o público pôde conhecer uma obras inéditas.A exposição de gravuras do artista expressionista alemão Otto Dix (1891-1969), organizada pelo Institut für Auslandsbeziehungen (IFA) / Instituto de Relações Culturais com o Exterior, de Stuttgart foi viabilizada pelo Instituto Goethe de São Paulo e do Rio de Janeiro e criou a oportunidade para um instigante confronto destes trabalhos com exemplos da gráfica do artista brasileiro, de origem russa Lasar Segall (1891-1957).
A exposição foi formada por 50 gravuras de Otto Dix em metal (pontas-secas e águas-fortes), integrantes de cinco álbuns publicados em 1924 sobre o tema “guerra” - testemunhos pungentes de sua experiência pessoal da violência do Conflito de 1914-1918, além de um conjunto de 35 gravuras avulsas (litografias e águas-fortes), produzidas entre 1920 e 1924, que servem para exemplificar a crítica social que marca tão profundamente sua obra deste período.
Com o objetivo de propiciar uma visão comparativa com a obra de Lasar Segall e, a partir desta, estabelecer relações com a gráfica do modernismo brasileiro, foram apresentadas paralelamente 35 gravuras de sua autoria (litografias, xilogravuras e gravuras em metal), produzidas entre 1919 e 1929, bem como 74 aquarelas que compõem o Álbum Visões de Guerra 1940-1943, criado por Segall som o impacto das notícias da II Grande Guerra, e que permanece inédito até hoje.
A exposição, nesta versão expandida, abrangendo os trabalhos de Dix e Segall foi apresentada entre 18 de maio e 7 de julho de 2002, no Museu de Arte Brasileira - FAAP, que abrigou os dois conjuntos sobre a guerra, totalizando 124 trabalhos. Paralelamente, Museu Lasar Segall exibiu 12 gravuras pertencentes ao álbum publicado em 1920 pela Dresdner Sezession, com trabalhos de Lasar Segall, Otto Dix, Will Heckrott, Otto Lange, Constantin von Mitschke-Collande e Eugen Hoffman.

Reportagem: Fernanda Sciascio
Edição: Rosa Buccino


Museu Lasar Segall - Rua Berta, 111 - São Paulo / SP
Tel.: (0**11) 5574-7322 - Fax.: (0**11) 5572-3586
site: www.museusegall.org.br

Informe-se sobre o acervo do MAB/FAAP
Tel.: (0**11) 3662-1662 / Ramal: 1123


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