Viva Portinari!


Celebrações destacam o potencial nacional que muito repercutiu no exterior com a arte de Portinari. Em agosto o artista completaria 99 anos e o Projeto Portinari já organiza os eventos para o centenário.

Cândido Portinari deixou um extraordinário legado de mais de 4.600 obras entre murais, afrescos, painéis, pinturas, desenhos e gravuras. O conjunto representa uma ampla síntese crítica de todos os aspectos da vida brasileira durante a primeira metade do século passado. E o trabalho de Portinari como roteiro de acesso ao Brasil de sua época não se limita apenas às suas pinturas. Ele foi também um importante pólo de captação e irradiação das preocupações estéticas, artísticas, culturais, sociais e políticas de sua geração. Em recente declaração, o famoso artista plástico Israel Pedrosa disse que nenhum outro pintor pintou mais um país do que Portinari pintou o seu.


Casamento na Roça, 1940, 60 cm x 73 cm, óleo sobre telaPara avaliar o papel que Portinari desempenhou em uma geração muito importante para a pintura, basta recordar as palavras de Carlos Drummond de Andrade, em carta ao pintor por ocasião do sucesso de sua exposição em Paris, em 1946: "Foi em você que conseguimos a nossa expressão mais universal, e não apenas pela ressonância, mas pela natureza mesma do seu gênio criador, que ainda que permanecesse ignorado ou negado nos salvaria para o futuro."
Desde o seu primeiro sucesso internacional, em 1935, com o prêmio Carnegie, nos Estados Unidos, Portinari foi o pintor brasileiro que alcançou maior projeção internacional. Em seguida, três grandes painéis expostos na Feira Mundial de Nova York, em 1939, sua exposição individual no MoMA de Nova York (1940), os quatro painéis para a Biblioteca do Congresso norte-americano, em Washington, e a publicação do primeiro livro sobre sua obra (1941) pela Universidade de Chicago repercutiram muito bem em sua carreira.
O Lavrador de Café, 1934, 100 cm x 81 cm,E o sucesso continuou! O impacto da exposição na Galerie Charpentier em Paris, em 1946, a exposição itinerante em Israel, em 1956, e, finalmente, seus monumentais painéis Guerra e Paz para a sede da ONU, em Nova York, marcaram definitivamente o nome Portinari na história da arte mundial.
Quando morreu, em 1962, aos 58 anos de idade, Portinari preparava uma grande exposição para o Palazzo Reale, em Milão, na Itália, a convite da Prefeitura daquela cidade. O falecimento fez com que Giuseppe Eugenio Luraghi, amigo, industrial, escritor e crítico de arte italiano, coordenasse o evento - que veio a ser a primeira exposição póstuma de Portinari, inaugurada em maio de 1963. Luraghi foi também responsável pela edição dos três livros mais importantes sobre a obra e vida do pintor: Disegni, Brasil e Israel.

Um projeto muito especial

Casa de Brodósqui, 1943, 60 cm x 73 cm, óleo sobre telaAtravés do levantamento, da pesquisa, da organização e do acesso às informações sobre a obra, a vida e a época de Cândido Portinari, nasceu o Projeto Portinari, que contribui para uma ação sociocultural ampla, voltada para ampliar a compreensão do processo histórico-cultural brasileiro e a tomada de consciência dos conteúdos simbólicos que definem a cidadania e a nacionalidade. Em seus 23 anos de atividade, o projeto levantou 5.300 pinturas, desenhos e gravuras atribuídos ao pintor e mais de 25 mil documentos sobre a obra, a vida e a época do artista plástico.Apenas o Programa de História Oral possui o registro de 72 depoimentos, totalizando mais de 130 horas gravadas. Carlos Drummond de Andrade, Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Luís Carlos Prestes, Raul Bopp, amigos e parentes do pintor estão entre os depoentes que, com seu testemunho, contribuíram para aprofundar a compreensão da vida e obra de Portinari e das preocupações de sua geração.
Em seu arquivo de correspondência o Projeto conta hoje com mais de 6 mil cartas sendo a mais recente aquisição um conjunto de correspondências enviadas por Portinari a Mário de Andrade. O arquivo foi cedido pelo Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo e o Projeto Portinari contribuiu também com as cartas que Mário remeteu ao artista. A curiosidade é que as primeiras, por disposição testamentária, ficaram 50 anos fechadas por decorrência à morte de Mário de Andrade.
Futebol, 1935, 97 cm x 130 cm, óleo sobre tela O acervo de fotografias históricas, filmes e recortes de periódicos (mais de 10 mil), livros, monografias e textos variados completam o material de acesso a mais de quatro décadas da história brasileira.
Para conseguir obter o levantamento dessas obras e documentos, a equipe do Projeto Portinari percorreu todo o território brasileiro e mais de 20 países das Américas, da Europa e do Oriente. Das obras localizadas pelo Projeto, cerca de 200 foram consideradas falsas e 500 constituem casos em estudo. Há ainda mais de 500 não localizadas, das quais possuímos apenas evidência documental, algumas com imagem, outras apenas mencionadas em textos. Entre estas, figuram algumas importantes, como o retrato de João Pessoa, desaparecido provavelmente na Paraíba durante a Revolução de 30 e o retrato do poeta Jayme Ovalle (segundo Dante Milano, foi nela que Portinari deu sua primeira guinada para o modernismo).
O acervo reunido pelo Projeto Portinari já representa um dos mais importantes arquivos multimídia existentes sobre a história e a cultura brasileiras nas décadas de 20 a 60. Composto por textos, imagens (cor e PB) estáticas e em movimento e sons (programas de história oral e música), além de filmes de vídeo e cinema.
O Projeto Portinari teve início com um convênio firmado entre a Finep e a PUC do Rio de Janeiro. Sucessivos convênios com a Finep (um total de dez, no período 1979-92) e com outras entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais, viabilizam o projeto ao longo do tempo.
Paralelamente, o Projeto Portinari está em constante contato com a Prefeitura de Brodósqui, cidade natal do artista situada no interior de São Paulo. A realização de ações e eventos na cidade é viabilizada constantemente em agosto, mês de nascimento do pintor. Nessa época, a prefeitura pinta todos os muros da cidade de branco e então os cidadãos pintam estes muros como se fossem telas.

Prepare-se para estas comemorações!


O centenário de nascimento do artista, em 2003, trará uma seqüência de eventos para divulgar a arte e o trabalho de Portinari. Dentre as principais celebrações previstas estão:

* Exposição Retrospectiva no MNBA, ABL e Palácio Gustavo Capanema (RJ) com 400 obras;
* Exposição de 30 "leituras" da obra "O Lavrador de Café" por artistas contemporâneos de diferentes áreas (músico, escritor, pintor, escultor, fotógrafo, estilista, carnavalesco, artista digital, designe, etc) no MASP com itinerância prevista para o Rio de Janeiro e Belo Horizonte;
* Exposição "Guerra e Paz" com 80 réplicas dos estudos, esboços e maquetes do pintor para os dois painéis na sede da ONU, em Nova York, prevista também para a sede da UNESCO;
* Lançamento do Catálogo Raisonné "Portinari - Obra Completa";
* Lançamento da Fotobiografia de Portinari;
* Portal Portinari;
* Projeto educacional "Bauzinho de Portinari" em 500 escolas municipais;
* Remontagem do espetáculo "Baile na Roça - Coreografias para Portinari" com o Balé da Cidade no Teatro Municipal (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte);
* Projeto "A Cidade é o Museu" (exposição de obras nas fachadas dos prédios, outdoors etc);
* Circuito SESC: apresentação de peça de teatro sobre vida, obra e época do pintor; espetáculo de dança; exposição de réplicas digitais etc;
* Lançamento de selos postais comemorativos pelos Correios;
* Lançamento de medalhas comemorativas pela Casa da Moeda;



Saiba mais sobre o mestre da pintura brasileira no site www.portinari.org.br
Projeto Portinari Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Tels.: (0**21) 3114-1438/3114-1439/3114-1440.

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