A alegria de fazer arte, segundo Romero Britto!

Quando trocou Pernambuco pelos Estados Unidos, há quinze anos, o artista plástico tem solidificado seu nome e o de seu país, relacionando-os com um estilo de pintura capaz de proporcionar momentos de contemplação a qualquer admirador de pintura.

Romero Britto em seu ateliê “Britto Central”, em Miami/ Foto: Divulgação "Meu trabalho, por ser dinâmico e alegre, promove a esperança, o positivismo e a vontade de viver. Acredito que cada um de nós tem uma missão. A minha é oferecer parte do meu tempo e da minha arte para arrecadar fundos para obras beneficentes. Me identifico com os necessitados. Jamais vou esquecer o que é ser pobre e isso é o que faz com que seja tão importante para mim ter meu trabalho acessível a todas as pessoas. Para mim, a arte pode refletir a celebração das coisas boas e simples da vida. Isto é o mais importante!”

Romero Britto

“Riso”/ Foto: Divulgação. Nos últimos anos, depois de ver consolidada sua carreira no exterior, Britto sentiu a necessidade de se integrar ainda mais com o público e entrar definitivamente no circuito cultural brasileiro, pois sentiu a visitação contínua de seus fãs a seu estúdio de Miami, assim como às galerias no mundo inteiro que têm seus trabalhos. O melhor caminho foi montar a Britto Central de São Paulo, que tem servido como ponto de referência para o segmento artístico. Na verdade, essa idéia é fruto de uma visita do próprio artista ao Brasil, há quatro anos, quando sentiu a grande receptividade das pessoas ao seu trabalho durante duas exposições realizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Notei que precisava ter em meu país, um local que fosse um ponto de encontro para quem desejasse contemplar minha arte”, recorda Britto. Guardadas as diferenças de arquitetura, que são muitas, a galeria é uma réplica e uma extensão da Britto Central de Miami, estúdio-atelier que ele tem há dez anos no 818 da Lincoln Road, em South Beach, epicentro da vida cultural e social da cidade norte-americana de Miami, na Flórida.

“Wind Girl”/ Foto: Divulgação.Romero Britto, pernambucano de Recife é unanimidade artística em Miami. Seu sucesso por lá é tanto que ele é visto quase que como um símbolo da cidade. Mas o interesse por seu trabalho vai muito além da Flórida, desperta interesse verdadeiramente global. Britto já realizou exposições nos mais importantes centros culturais do planeta, de Paris a Tóquio, de Londres a Madri, de Roma a Nova York. Suas obras são representadas por mais de cento e vinte galerias em todo o mundo. Seus quadros estão em grandes museus e também nas coleções de celebridades. Sua arte é requisitada no mundo inteiro para projetos beneficentes e para campanhas de publicidade. Mais do que isso, setores da crítica atribuem a Romero Britto o mérito de ter reinventado a Pop Art, e creditam a ele importância comparável à de dois ícones das artes plásticas contemporâneas, Andy Warhol e Roy Lichtenstein.

“Family Portrait” / Foto: Divulgação.Afilhado de batismo de Gilberto Freire, autor de Casa-Grande & Senzala, Romero Britto começou a desenhar aos oito anos, reproduzindo o mundo de fantasia de sua mente. Sem educação formal, criava, em qualquer papel que lhe caia às mãos, pinturas de dias alegres, sóis brilhantes e animais brincando. Começou depois a trabalhar suas imagens em todos os meios possíveis – aquarela, bico de pena, pintura a dedo.
Fez sua primeira exposição aos 16 anos e, desde então, coleciona prêmios e elogios. Em 1986 deixou o Brasil em busca de novas perspectivas para sua arte. Passou um ano na Europa, visitando museus e galerias, e seguiu depois para os Estados Unidos. Dez anos se passaram e o trabalho de Romero Britto só cresceu. Ganhou importância e repercussão, alcançou o reconhecimento da crítica, chegou ao grande público através, por exemplo, de trabalhos especialmente criados para campanhas publicitárias de Absolut, Apple, Pepsi-Cola e IBM. Britto, que recentemente recebeu o título de “Doutor Honoris Causa” pelo International Fine Arts College, uma das mais conceituadas escolas de arte dos Estados Unidos, continua experimentando. Ele conta, por exemplo, que agora está integrando cor nas linhas que demarcam as formas – antes sempre negras e sólidas. Outra mudança é que antes seus quadros mostravam uma figura como único elemento, agora
incorporam mais figuras e usam cores menos brilhantes, para contrastes mais suaves. "Quem observar meu trabalho ao longo desses anos", diz, "vai perceber que ele vem mudando, mas lentamente, sem transformações drásticas".
As experiências do artista se dão também na multiplicidade de suas formas de expressão, e na variedade de suportes, das tradicionais telas a papéis coloridos, papel-cartão e tecidos. Britto não se limita à pintura, faz também gravuras, desenhos, esculturas e tem investido em projetos ligados à moda. Ele também está comprometido com inúmeras causas beneficentes e humanitárias, especialmente aquelas que envolvem crianças.

Edição de texto: Rosa Buccino


Britto Central São Paulo
R.Oscar Freire, 562 - São Paulo/SP O telefone é (0**11) 3062-7350.
De segunda a sexta, das 10 às 20 horas e aos sábados, das 10 às 18 horas.

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